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Com petróleo em alta no mundo, Goiás colhe os frutos da revolução dos biocombustíveis

Produção recorde e novas usinas ajudam a manter etanol competitivo e reforçam segurança energética brasileira

Com petróleo em alta no mundo, Goiás colhe os frutos da revolução dos biocombustíveis

Enquanto o mundo acompanha com preocupação o fechamento do Estreito de Ormuz e a disparada do barril do petróleo Brent para a faixa dos US$ 120, o Brasil — e especialmente Goiás — vive um cenário diferente: o estado se consolida como uma espécie de “ilha de estabilidade energética” em meio à turbulência global.


A explicação está na força da matriz de biocombustíveis, que hoje funciona como um verdadeiro escudo econômico contra crises internacionais, ajudando a proteger o bolso do consumidor e garantindo mais segurança ao agronegócio.


O choque global do petróleo

A escalada dos conflitos no Oriente Médio provocou uma forte redução na oferta mundial de petróleo, elevando os preços dos combustíveis em diversos países. Na Europa e nos Estados Unidos, a gasolina já atinge níveis recordes.


No Brasil, os reflexos também começaram a aparecer. O diesel acumulou alta de aproximadamente 13,9% em março. Ainda assim, o impacto tem sido menor do que em crises anteriores graças à crescente participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional.


Goiás lidera a “biotransição”

Mais do que acompanhar essa transformação, Goiás tornou-se um dos protagonistas da nova economia verde brasileira.


Com previsão de colher 20,7 milhões de toneladas de soja no atual ciclo, o estado atingiu níveis históricos de produtividade e passou a disputar protagonismo com tradicionais potências agrícolas do país.


A produção goiana é estratégica principalmente para o avanço do biodiesel. O governo federal acelerou para este ano a implantação do B16 — mistura com 16% de biodiesel no diesel convencional — e Goiás lidera o fornecimento da principal matéria-prima: o óleo de soja.


Ao mesmo tempo, o estado vive uma onda de investimentos bilionários no setor energético. Apenas no último ciclo, Goiás atraiu R$ 1,4 bilhão em financiamentos do BNDES para expansão da produção de etanol.


Além disso, novas usinas de etanol de milho em Formosa e Cristalina começaram a operar em 2026, somando investimentos de aproximadamente R$ 1,8 bilhão.


Reflexos diretos nas bombas

Diferente de crises passadas, o motorista goiano hoje encontra alternativas reais para reduzir os impactos da alta internacional do petróleo.


A expectativa é que a safra 2026/2027 processe cerca de 80 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em Goiás, mantendo o etanol hidratado competitivo mesmo diante da pressão sobre os preços da gasolina.


“A eficiência tecnológica e o melhoramento genético das lavouras elevaram Goiás ao topo nacional em produtividade. Hoje conseguimos produzir mais utilizando menos área, o que se tornou estratégico para a segurança energética do país”, afirma o especialista em agronegócio Luiz Almeida.


Economia verde e geração de empregos

Além de funcionar como proteção econômica em períodos de instabilidade internacional, a expansão dos biocombustíveis também fortalece o processo de descarbonização da economia.


O crescimento do etanol de milho, do etanol de sorgo e o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ajudam a conter pressões inflacionárias e impulsionam a geração de empregos em polos estratégicos como Rio Verde, Jataí e o Entorno do Distrito Federal.

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