Mãe e padrasto de menino baleado na cabeça são presos em Palmeiras de Goiás

A mãe e o padrasto de um menino de 10 anos baleado na cabeça em uma propriedade rural de Palmeiras de Goiás foram presos temporariamente nesta segunda-feira (21). O dono da fazenda onde a família morava também foi detido. Segundo a Polícia Civil, a investigação identificou elementos que contradizem a versão inicial de que a própria criança teria se ferido acidentalmente com uma arma de pressão.
O menino foi baleado no dia 14 de setembro. Conforme a versão apresentada inicialmente pela mãe à polícia, ele teria disparado acidentalmente contra a própria cabeça. No entanto, segundo o delegado André Veloso, responsável pela investigação, os levantamentos apontaram que a criança foi atingida por três disparos.
De acordo com o delegado, dois atingiram a região frontal da cabeça. Um terceiro acertou a lateral, atravessou o crânio e atingiu o cérebro, provocando a lesão considerada mais grave.
A Polícia Civil informou que a hipótese de acidente foi descartada e que o caso é investigado como tentativa de homicídio qualificado. Com as prisões temporárias, os investigadores pretendem esclarecer a participação de cada um dos três suspeitos.
Polícia investiga versões apresentadas
Em depoimento, o padrasto afirmou que não estava na propriedade no momento dos disparos e que havia ido visitar uma fazenda vizinha. Segundo o delegado, porém, a investigação identificou circunstâncias que levantaram suspeitas sobre a versão.
A polícia apurou que o homem costumava avisar previamente quando visitava a propriedade vizinha, mas teria ido ao local sem comunicar a visita naquele dia. Cerca de dez minutos depois de chegar, ele recebeu uma ligação informando sobre o ocorrido.
Para o delegado, a circunstância pode indicar uma tentativa de construção de álibi. Essa é, até o momento, uma linha considerada pela investigação e ainda não representa uma conclusão sobre a participação do padrasto nos disparos.
O dono da fazenda, que também morava com a família, foi preso durante a investigação. Conforme André Veloso, o homem se considerava pai afetivo do padrasto da criança. A polícia afirma ainda que, quando militares foram à propriedade após o ocorrido, ele teria impedido que conversassem com a mãe do menino, sob a justificativa de que ela estava abalada.
Segundo o delegado, essas circunstâncias foram apresentadas ao Poder Judiciário como parte dos elementos que fundamentaram o pedido de prisão temporária.
Relatos de agressões anteriores são investigados
A Polícia Civil também apura relatos de possíveis agressões anteriores contra o menino. De acordo com o delegado, vizinhos disseram aos investigadores que a criança era atingida com cintadas como forma de castigo e que já teria apresentado marcas pelo corpo.
Os relatos fazem parte da investigação e ainda deverão ser confrontados com outros elementos reunidos pela polícia.
Testemunhas também relataram ter ouvido o menino gritar pela mãe antes de ser encontrado ferido. A versão diverge do que teria sido informado pela mãe aos investigadores sobre o momento dos gritos e também está sendo analisada pela Polícia Civil.
As prisões são temporárias, com prazo de 30 dias. Segundo o delegado, o período será utilizado para tentar individualizar as condutas e esclarecer quem efetuou os disparos e qual teria sido a participação dos demais investigados.
Até a publicação desta reportagem, não havia informação sobre manifestação das defesas dos três presos.
Menino permanece internado em estado grave
Após ser baleada, a criança foi levada inicialmente para atendimento em Palmeiras de Goiás.
Posteriormente, o menino precisou ser transportado de helicóptero para o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. Ele permanece internado na UTI Pediátrica em estado grave.
Uma campanha de doação de sangue foi organizada para ajudar no tratamento. Pessoas de qualquer tipo sanguíneo podem fazer a doação no Banco de Sangue do Hugol, informando que ela é destinada à criança.
O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h30, e aos sábados, das 7h às 12h. Não é necessário agendamento. O Banco de Sangue fica no Bloco D do Hugol, na Avenida Anhanguera, nº 14.527, no Setor Santos Dumont, em Goiânia.











