Desenrola 2.0 ajuda a limpar o nome, mas problema pode voltar, diz setor de varejo
- Redação Ogoiás | Goiânia

- há 16 horas
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Programa oferece até 90% de desconto, mas não garante mudança no hábito financeiro

O Programa Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal para ajudar brasileiros endividados, até pode dar um fôlego no curto prazo — mas não deve resolver o problema de vez. Essa é a avaliação do setor varejista em Goiás.
A iniciativa permite renegociar dívidas com descontos que podem chegar a 90%, além de parcelamento em até 48 vezes. O público principal são pessoas que ganham até cinco salários mínimos (R$ 8.105), mas o programa também inclui estudantes do Fies, micro e pequenos empresários e agricultores familiares.
Segundo a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás, o cenário é preocupante: cerca de 74 milhões de brasileiros estão endividados, o que afeta diretamente o consumo e a economia.
Para o presidente da entidade, Valdir Ribeiro, o programa pode até ajudar agora, mas não ataca a raiz do problema. “Sem uma solução de longo prazo, o risco é o consumidor voltar a se endividar”, alerta.
Outro ponto de atenção é justamente esse: o possível aumento do chamado “ciclo da inadimplência”, quando a pessoa renegocia a dívida, mas acaba se endividando novamente depois.
O Desenrola 2.0 vale para dívidas feitas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos. O limite para renegociação é de até R$ 15 mil por CPF.
A adesão deve ser feita diretamente com os bancos. Entre as medidas previstas estão ações de educação financeira e restrições ao uso de crédito para apostas online.
A expectativa do governo é renegociar cerca de R$ 58 bilhões em dívidas.
